Nosso primeiro contato com um mundo extraordinário…

Som de águas cantantes, como se a selva orquestrasse um hino sagrado… Cúmplice, em arte, de um momento inesquecível. Não conseguíamos vê-los, mas a presença deles era absoluta. Nos observavam de algum lugar e podíamos sentir isso. Um ‘friozinho’ na barriga – muito perto de uma sensação de receio, mas na verdade um sentimento de respeito ao que é puro.
Estas lembranças hoje me fazem entender melhor as palavras do escritor venezuelano Luis Alberto Crespo:
“Cuando entramos a la selva, entramos a un círculo. Si decimos Amazonas estaríamos reduciendo la apariencia del mundo verde y mojado en que se perpetúa – o se dilata, como el cosmo de arriba – entre su masa vegetal y acuática, más allá de sus propios límites, nunca políticos o geográficos, sino selváticos, vale decir, inencontrables”.

De fato, naquela magnitude onde tudo parece infinito, ficava tão clara quanto fica agora a certeza que nossa ligação com a Natureza ainda constitui a esperança de uma vida melhor, talvez a única saída. Ter esta certeza não significa voltar a viver na floresta, mas estreitar as nossas relações… Rever as nossas responsabilidades diante dos outros e, quem sabe, aceitar os ciclos como da idade, por exemplo. Saber crescer, amadurecer e envelhecer – como as grandes árvores da floresta, assumindo da melhor maneira nossos papéis em cada fase. Ter em mente a vontade da renovação para contribuir, em cada etapa, com o que temos de melhor. Participar, de coração, no grande círculo da vida. Não como meros expectadores, mas como atores principais.

Podemos conseguir isso se nos religarmos às raízes que cortamos um dia. Dizendo aqui exatamente como diziam lá os índios yekuana-makiritare do alto Orinoco, na cultura dos Yanomamis: “Raízes que nos atavam ao solo porque fomos feitos de terra e que, para sermos homens e não apenas bonecos de barro, cortamos”.
Reatarmos raízes pode significar mudanças e junto com elas a necessidade de saber exatamente o que somos, para onde desejamos ir e o que nos é absolutamente essencial.

Essencialidade é, por exemplo, o que víamos entre os índios. As mulheres da tribo teciam cestos e pintavam neles símbolos nítidos de quem conhece a iniciação xamãnica. Ou, criavam peças de adorno… Apenas sementes, mas, valiosas como se fossem raros diamantes.
Atraiam a energia do universo através um notável senso de arte e realizavam um lindo artesanato, com objetos tão próximos da utilidade quanto da estética.

Gente nua de preconceitos que se adornava com plumas coloridas – para o amor, o trabalho e a guerra; pintando sua pele com linhas e círculos – transcrevendo no corpo perfeito, as direções da vida e a grandeza do cosmos.
Ainda há tempo para mudar …
O mesmo tempo que fazia com que os índios apenas sentissem a hora certa de fazer de qualquer coisa: preparar a terra, plantar, cuidar e colher os frutos. Lutar! Ou, simplesmente não fazer nada senão apenas descansar até que o fogo aceso na noite anterior se apagasse na luz da manhã.
Caio Eduardo Ferreira do Amaral
Márcio disse,
Dezembro 8, 2007 às 3:13 pm
Caio, muito obrigado por sua visita e cometário! Agora vou ler tudo por aqui. Abração!
Caio Eduardo Ferreira do Amaral disse,
Dezembro 8, 2007 às 3:24 pm
Seja sempre bem-vindo Márcio!
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Abraço.
Caio
cefamaral@terra.com.br